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sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Easy


Photo daqui.

Tão mais fácil acordar e encarar os problemas com um dia de sol. So much easier, really! Hoje não estou num bom dia, sinto a pressão das palavras que às vezes são ditas e que num repente se transformam em pontadas no nosso interior. Às vezes excedemo-nos a nós mesmos na forma de encarar as coisas; às vezes precipitamos as vontades e dizemos coisas sem pensar. Às vezes e tantas vezes eu deixo este meu egoísmo vir ao de cima, querendo que as coisas aconteçam exactamente da maneira como eu quero que aconteçam. E depois vem uma onda mais forte, que me aniquila por breves instantes e que num turbilhão de intensidade me faz ver que afinal existem os outros. Que existes tu. Aí desse lado, com a tua forma incansável de me amar.   

Procuro na espuma das ondas o consolo e a ternura que desperdicei quando esta noite estava contigo, tento gritar ao mar mas de uma forma que tu ouças que sinto a falta das tuas palavras quentes. O mar parece que diz que sim, que sim, que tu estás a ouvir.....mas eu só vou acreditar contigo ao meu lado. 

Hoje está sol; eu já respirei a maresia e num abraço ao azul do céu sorrio e sinto que sim.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Às voltas com o tempo....simplesmente dando tempo ao tempo






Sabe-me bem às vezes fumar um cigarro. Deixar entrar nestes meus pulmões de desportista um fumo poluente e deixar que durante esse tempo seja atingida pelo prazer de umas passas. Só um, só às vezes. E em momentos que valham a pena.


Sabe-me bem às vezes confrontar-me com verdades e incertezas, questionar-me se elas serão tão verdades e tão incertezas assim; sabe-me bem olhar nos olhos de certas pessoas e sorrir, deixar transparecer a minha alma, sorver o olhar dessa pessoas, esperar que sorriam para mim.


Sabe-me bem às vezes dar simplesmente tempo ao tempo, deixar fluir, deixar-me ser alguém que não é perfeito, deixar que o tempo me pertença....simplesmente dando tempo ao tempo.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Às vezes queria ter tempo



photo by Pi

...para simplesmente poder curtir o tempo. Demorar-me. Demorar-me nos beijos ternurentos de bom dia com que enrosco os meus filhos todos os dias.
Demorar-me nos bons dias com que me enrosco em ti.

Demorar-me no caminho para o emprego, contemplar o mar, ir surfar.

Demorar-me a desfrutar as ondas, o céu azul, as minhas conversas com o mar.

Queria ter tempo para agarrar o tempo que nos convida a desfrutar do tempo. Todos os dias.

Queria ter sempre tempo para ser eu, mulher, vaidosamente a cuidar de mim; ter sempre tempo para ser eu, mãe, e ser sempre eu a ir buscar os meus filhos ao colégio, prescrutando um pouquinho mais essa vida deles que se vai formando paralelamente e sem mim; queria ter tempo para ser eu, dona de casa e encher a casa de flores; e tempo para todos os dias ser eu tua mulher, nunca descuidando esse nosso lado apaixonado;

Tempo para escolher as palavras que às vezes digo, os caminhos que às vezes faço, as loucuras que às vezes cometo. E no final de tudo isso ainda arranjar tempo para ler todos esses livros, ouvir todas essas músicas, ir a todos esses espectáculos, estar com todos os meus amigos, fazer novos amigos, viajar por esse mundo fora.....

O tempo passa por mim e eu queria agarrá-lo. Atirar as obrigações ao vento.

Nestes dias de sol é quando dá mais vontade....

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Lost in Translation

photo daqui.
Tóquio.
Cruzamento de Shibuya.
Verde para os peões e é vê-los surgir pela frente, pela direita, pela esquerda, pela outra rua e também pela outra. Passos apressados de uma multidão que se cruza e que se mistura num só cruzar de ruas. Rostos desfocados que tento fixar com a minha objectiva.
Rostos que deslizam e que sorriem, “sorry, no english, no english”.
Também eu um dia cruzei Shibuya, num emaranhado de gentes e olhares anónimos numa cidade singular.


E é isto, hoje acordei assim, com o pensamento bem longe da minha realidade. A pensar em lugares distantes, eu no meio de gente desconhecida, às vezes apetece-me tanto…..

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Sim, muitas vezes choro

Choro muitas vezes.
Choro quando estou triste, choro com a morte, choro a ver um filme.
Choro quando me desiludo e quando às vezes sinto que te magoo.
Mas também choro quando estou feliz, quando ouço certas músicas, choro em certos espectáculos. Choro comovida quando um artista agradece as palmas que lhe dedicam, choro com palavras bonitas, choro em lugares distantes e bonitos e nos quais me sinto pequenina.
Choro com as alegrias dos que me são queridos. Choro com um livro, com palavras dedicadas, choro a cantar.


Choro muito, e sempre sozinha, em frente ao mar. Choro às vezes e ainda, enquanto faço amor.
E choro contigo, bem enlaçada em ti, quando vemos que somos tão felizes.

Choro muitas vezes.
Mas faz-me muito mal ver quem eu gosto a chorar.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Eu


Eu.
Eu e tantas coisas que mexem comigo.
Como sentir o amanhecer e o cheiro do teu corpo.
Sentir que sou tua mulher e ouvir todas as vezes que ainda repetes que eu sou bonita.
Eu nesta aventura que é ter filhos, no dia-a-dia da descoberta de ser mãe e de como se pode amar tão desmesuradamente alguém. Eu na dúvida de ainda querer ter mais filhos.

Eu e o meu porto seguro que é a nossa casa, o porto seguro que somos nós.
E isso que me faz tão imensamente feliz.

Mas e isto aqui que eu sinto cá dentro, que resvala e palpita e que insiste em me fazer sonhar como sendo uma única e só pessoa?
Estes meus sonhos de andar de mochila às costas a ver o mundo?
Estes meus sonhos de ser mar e de ser onda, de sentir o sal no corpo e de me extravasar?
Este meu egoísmo gritante que me ataca às vezes e me consegue afastar de tudo o resto???

Serei só eu?
Serei só eu que às vezes me debato com tamanha inconstância e que tem sonhos tão impossíveis de conciliar com uma família?
Serei só eu que às vezes me sinto tão mulher que sinto que atraio e que me sinto atraída por outra pessoa que não tu??
Serei só eu que até sei que em pensamento te sou algumas vezes infiel???

Eu.
Isto de ser eu e tantas coisas que mexem comigo.

Eu e este blog que já quase dura 3 meses. Eu que escrevo que não páro e que parece que já fiz disto uma forma de vida.
Eu que escrevo para mim própria e que me abstraio mesmo de quem me lê.
Eu e este blog que vem em forma de escape. Este blog é para mim.
Este blog sou eu.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

E quando o nevoeiro abana as ideias....


Photo by Pi
5 dias de alheamento e o regresso custa horrores.
Este regresso à nossa vidinha acomodada das rotinas diárias da cidade e do emprego.
Foram 5 dias em que a par com o nevoeiro dei por mim a pensar e a repensar a minha vida.
Abstraí-me da internet, dos horários, das pequenas rotinas, da minha dieta….
Abstraí-me até de quem sou e resgatei uma ânsia pulsante de mudar alguma coisa.
Entre caminhadas pela areia, mergulhos em águas bem frias (ou não fossem as águas do norte e os meus filhos insensíveis às temperaturas da água), ondas fortes e um vento fresco soltei alguns gritos de inconformismo.
Comigo mesma.

Hoje fervilho por dentro. Fervilho por ter de estar aqui e não me apetecer.
Por sentir falta da areia, do mar, de ser eu inteira, cheia de ideias e de planos e de querer fazer bem mais do que o que estou a fazer agora. Aqui.

A vida é feita de ciclos.
A vida é uma procura permanente de como sermos felizes.
É sermos nós. É darmos por inteiro aquilo que de melhor há em nós.
É uma construção interior em que nos procuramos realizar em todos os bocadinhos que somos.

Há por aqui uns bocadinhos de mim tão desamparados, tão amorfos, tão encostados a um comodismo que me corroem devagarinho e em silêncio.
Preciso de começar um novo ciclo. Preciso de dar um abanão a esta parte de mim que urge em ser feliz.

5 dias de alheamento e é isto…..
O regresso custa horrores….

terça-feira, 2 de junho de 2009

Saudades de Lisboa


Já vivi uns anos em Lisboa.
E desses tempos tenho muitas saudades.
Porque era uma vida diferente, era um eu diferente, era eu sozinha numa cidade que não era a minha...
Agora voltei ao Porto e a minha vida é cá, e nesta vida de cá já não sou só eu.

Não está em causa ser mais ou menos feliz, está em causa serem tempos diferentes.

Tenho saudades da luz da cidade, das ruas, das calçadas, dos miradouros, do bairrismo e de ser uma cidade grande.
Tenho saudades de descer e subir a Rua do Século todos os dias, de deambular pelo Bairro Alto, de me perder rua acima rua abaixo, de calcorrear o Chiado vezes sem conta.

Tenho saudades de vaguear pelas ruas e de me sentir anónima. Essa sensação impensável cá no Porto, mas que me dava um enorme gozo em Lisboa.
Tenho saudades de consumir cultura desenfreadamente; a oferta cultural na capital não se compara à do Porto e a minha disponibilidade de agora também não se compara à que tinha na altura.

Saudades de ter vários restaurantes vegetarianos à escolha, dos almoços n’Os Tibetanos, no Terra, na Colmeia,…

E dos passeios ao fim de semana a Cascais, ao Guincho ou a Sintra. Dos surfistas da Praia Grande….

Saudades muitas, mesmo. Fui muito feliz em Lisboa.
Foram uns anos de descoberta de mim e de uma outra cidade, e de mim sozinha numa outra cidade.
Esse tempo já passou e esse eu já não existe.
E a verdade é que às vezes as saudades da cidade confundem-se com as saudades que tenho desse tempo.
Dessa minha liberdade.

sábado, 25 de abril de 2009

Mas tem mesmo de ser?

Agora todos os dias que saio de casa deparo-me no final da rua com as caras do Vital Moreira, seguido pela da Manuela Ferreira Leite, que me aguardam, imponentes, no primeiro semáforo . Seguem-se, ao virar da rua, e estes a preto e branco, o Durão Barroso a abraçar o Sócrates e a dizerem "porreiro pá". Um pouco mais abaixo aparece a Laurinda Alves. Sei lá eu bem quem ainda estará para aparecer,....que isto da campanha ainda agora começou.
Ora estando um dia tão bom de sol tenho eu de ver estas caras logo pela manhã?
Valham-me os surfistas e o mar logo ali em baixo.